PENSAR COMO TRADUTOR - POSTS DA DANI - 3

Esta é uma sequência de posts falando sobre dicas para tradutores iniciantes.

Foram postados primeiro no grupo "Tradutores, Intérpretes e Curiosos" no Facebook e depois no Linkedin. Agora estão disponívels no Behind The Curtains.

Photo by Joshua Hoehne on Unsplash



Primeiro, vamos conversar sobre os tipos de cliente que tradutores têm.


1. CLIENTE FINAL:

O nome já diz tudo. Ele pode ser uma pessoa física ou uma pessoa jurídica.


Seja quem for, SEMPRE faça um contrato. Sempre. Não precisa ser algo extremamente elaborado. E tenha documentado todos os dados do projeto.

Sabe o post 2, sobre ferramentas de negócio (este aqui)? Desenvolver um bom contrato pra você é uma das ferramentas de negócio. Melhor: desenvolva um modelo de orçamento pra cliente final e um contrato pra você. Suas ferramentas de negócio. SUAS.

Sente e pense no serviço de tradução, no que você fornece, nas especificações, em tudo. Aí ponha tudo por escrito e crie seu modelo de contrato.

Documente TUDO. TUDO. Não fale pelo telefone, não aceite combinação por voz. Nem que seja por escrito no WhatsApp, Skype, qualquer comunicador. Mas sempre POR ESCRITO.

Outros tradutores falarão a mesma coisa: pelo menos uma porcentagem antes de começar a prestação de serviço, e o resto contra a entrega. Cada um tem a sua receita, a minha é 50% antes, 50% na entrega.

Ai, mas é meu irmão/pai/madrinha/sobrinho/dono da quitanda/alguém conhecido.

Tradução é negócio. É empresa. Família e amigos pertencem a outra categoria. Faça contratos com eles também.

Se for trabalhar pra eles, aja como profissional. Deixe claro os valores (inclusive quando você está fazendo de graça), prazos, metas, tudo que você coloca nos seus contratos. Faça isso mesmo quando for fazer de graça pra eles.

A primeira pessoa que precisa ver tradução como um negócio é você. Se você não tratar tradução de forma profissional, não espere que outras pessoas façam isso em relação a você.


2. AGÊNCIAS DE TRADUÇÃO:

Essas, em geral, já vêm com o combo completo, NDAs, SLAs e mais uma sopa de letrinhas.

LEIA TUDO COM ATENÇÃO ANTES DE ASSINAR. É SÉRIO: LEIA TUDO.

Assinou, o que está no papel é o que vale. Você se casaria sem conhecer o parceiro? Então. LEIA. Vou falar de novo: LEIA.

Minha dica: crie pastinhas no computador e salve cada um desses documentos, assinados, bonitinhos, em pastas com os nomes das agências. Depois fica mais fácil achar esses bichos quando você precisar procurar alguma informação neles.


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Eu tive uma chefe que sempre me dizia: contrato de trabalho é uma via de 2 mãos. Ambos têm que estar satisfeitos. E ela estava se referindo a contrato de trabalho, aquele CLT mesmo.

Na minha vida profissional (como Estatística, antes de ser tradutora), foi um dos melhores conselhos que recebi. No nosso caso, é mais patente ainda essa questão do contrato ser uma via de 2 mãos. Somos empresários, então tem que satisfazer AMBAS as partes.

  • Tarifa baixa? Procure outros clientes.

  • Prazos inaceitáveis? Procure outros clientes.

  • E assim por diante.

Não aceite contratos abusivos. Simples assim. Converse com a empresa e, se não aceitarem, a fila anda. A SUA FILA. 


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Finalmente, como evitar e/ou recuperar calotes?


BOM, PRIMEIRO, A PREVENÇÃO.

Prestar um serviço é uma forma de concessão de crédito. Você, COMO QUALQUER EMPRESÁRIO FAZ, está concedendo um crédito ao seu cliente na forma do serviço que você presta a ele.

Portanto, você precisa fazer uma investigação do perfil de crédito dele ANTES de qualquer prestação de serviço. Você não instala extintores de incêndio DEPOIS da casa pegar fogo, certo?

Tem locais para fazer isso. Eu uso muito os 3 abaixo:


1) BLUE BOARD (PROZ)

Procure lá antes de qualquer coisa. É uma das coisas pelas quais vale a pena pagar o Proz: ler os comentários dos outros tradutores sobre as agências. Se você evitar um calote de 120 doletas em 1 ano, já paga a assinatura.

Mas Dani, a empresa não está do BB do Proz.

Aí não dá pra checar se ela é boa. Mas se ela tiver dado um calote em você, aí vocè cadastra a empresa e posta a sua avaliação dela. Qualquer associado do Proz pode cadastrar uma empresa de tradução lá. Eu já fiz com uma.


2) PAYMENT PRACTICES

Por 20 dólares ao ano, você tem acesso a um banco de dados fabuloso do Wozniak, com mensagens e avaliações de um monte de agências de tradução no mundo inteiro. Procure pelo Payment Practices no Google. O que você está fazendo? Ainda lendo o ponto 2? Corre lá no Payment Practices e volta aqui depois de assinar!


3) SPEAKING DOLPHINS E GRUPOS SIMILARES

Um grupo no Facebook pra pedir recomendações/avaliações/indicações de agências de tradução. Você posta o nome da empresa e os membros do grupo, de forma voluntária e solidária, mandam mensagens privadas pra você sobre o que eles sabem da empresa que você perguntou.

Faça sua pesquisa: você encontrará grupos com propósitos similares no LinkedIn e em outros lugares.


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Sobre recuperar valores não pagos:


1) NO BRASIL:

Entre na justiça. Com toda a documentação registrada e guardada, como eu já expliquei acima. Se necessário, contrate um advogado.


2) NO EXTERIOR:

Aí é mais complicado (para quem está no Brasil). Faça a avaliação da agência no Blue Board e no Payment Practices. Não espere: passou da data acordada de pagamento, já faça a sua avaliação. Continue mandando emails periodicamente, DE FORMA POLIDA, cobrando. Relembre todo o combinado (todos os documentos assinados entre você e a agência).


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Resumindo: seja cuidadoso ao aceitar seus clientes, faça sua lição de casa e pesquise. Cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

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