Linguistic Consultancy

  • Danielle Sanchez

Lost (and Found) in Translation 3 - português


Quando nos mudamos de mala e cuia para os EUA, senti que justamente na parte da comunicação o bicho pegou. Você pensa que você é quase o bã-bã-bã no inglês (ou qualquer outra língua estrangeira), você acha que vai conseguir se virar nos trinta, mas acaba fazendo das tripas coração e morrendo na praia. E fica chorando a cântaros porque ficou boiando e viajando na maionese, e o bonde passou (e você nem estava na janelinha!) e, como camarão que dorme a onda leva, pimba, tomou nos cornos! Ninguém merece! Expressões idiomáticas são um terreno pantanoso em qualquer língua, porque incorporam cultura e história em poucas palavras. Quem, como eu, chegou numa terra estranha, e ouviu expressões metafóricas que descrevem algo de uma maneira que ou a pessoa fez uma pesquisa aprofundada sobre o assunto, ou a pessoa nasceu e cresceu ouvindo sobre aquilo de maneira constante, fica perdido e passa um tempo sem conseguir entender parte do que é conversado, escrito, comunicado. Eu me sentia como o Gurgle Translate na tirinha do Mox’s blog, ou pelo menos as pessoas riam de mim da mesma forma (e eu também, retroativamente):


Mas as expressões idiomáticas são “patrimônios culturais do povo de uma região” mesmo. E quem chega, novo, nessa região, tem que se acostumar e “mergulhar” nelas, para entender o que a população local realmente quer dizer com aquela expressão. E mesmo que a cada dia novas expressões sejam criadas ou adaptadas (muitas vezes, de outras línguas), usá-las é uma forma de prestar homenagem à cultura e à história dessa população, e à língua que as acolhe. Navegando pela rede, minha filha Sofia achou o site EAT RIO, que eu adorei e li várias páginas, mas escolhi essa, que tem tudo a ver com o que estou falando:

Portuguese Idioms: Armless John and the fat chicken nextdoor

O tipo de reação que o Tom teve ao ser apresentado a algumas expressões idiomáticas brasileiras foi muito, muito parecida com as minhas (por que cargas d’água a última palha é a que derruba tudo? Mas palha é tão levinha!). Divirtam-se: ele escreve muito bem, muito divertido, eu adorei.

Me despeço de você com um abraço, até a próxima newsletter.

#cultura #barreirasculturais #freelance #português #expressõesidiomáticas

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